O Falcão é uma ave de rapina
que e existem diversos tipos de Falcões.
A pequena ave surgiu subitamente sobre a
crista do outeiro. À primeira vista e de encontro ao ceú azul
da tarde lembrava um grande andorinhão preto, com as suas asas esguias
e arqueadas, mas a coloração anormal do peito e ventre e
a silhueta de maior tamanho afastavam essa ideia.
Trata-se de uma Falcão-Tagarote ou Ógea, como também
é designada a espécie, um dos mais exímios voadores
do mundo, capaz de vertiginosos voos alcançando a velocidade de 240
Km em voo picado e 150 Km em voo batido.
Em meados de Abril observam-se já as primeiras aves em Portugal
oriundas do continente Africano. De início machos e fêmeas
vivem apartados, mas logo pelo mês de Maio constituem casais, procurando
local para formar família.
As paisagens mistas de pequenos bosques de carvalhos e terrenos de cultivo
são os locais eleitos por esta pequena ave de rapina, cuja população
em Portugal se cifra entre 250 e 500 casais reprodutores.
Uma das características que diferenciam os Accipitrideos (Águias,
Açores e Gaviões) dos Falconídeos é o facto
de os Falcões, como o Falcão-Tagarote, não construirem
ninho limitando-se a depositar os ovos num ninho abandonado de outra espécie.
A postura tem lugar no mês de Maio e consta de dois a três ovos
cremosos e intensamente manchados de castanho-avermelhado.
As avezinhas, que permanecem no ninho quatro semanas, nascem cobertas
de uma penugem sedosa e muito clara, voam pelos 34 dias mas só adquirem
a independência algum tempo depois.
Reproduz-se esta espécie em extensas áreas da região
paleárctica, distribuindo-se pela totalidade da Europa com excepção
da Islândia e do Norte da Rússia, da Escandinávia e
da Grã-Bretanha, onde as condições reinantes não
favorecem a existência da espécie. Para além de albergar
a mais abundante população da Europa (8.000 casais), a Península
Ibérica serve também de passagem a inúmeras aves que
procuram alcançar o Oeste e Centro europeus e que aí permanecem
até meados do Outubro, altura de retorno aos quartéis de Inverno,
localizados nas savanas tropicais do Sul de África
Migrador notável, o Falcão-Tagarote tira partido das pequenas
turbulências aéreas com as longas e afiladas asas.
Para isso, alterna continuamente pequenas batidas com voos planados curtos,
mas é capaz também de efectuar rasgados trajectos com rápidos
e fortes movimentos alares.
Em suma, apesar da sua prodigiosa capacidade de viajar, o Falcão-Tagarote
não é um planador típico, como a Cegonha e o Milhafre
Preto capazes de se elevarem ao sabor das correntes térmicas e manterem
no ar por longos períodos sem esboçar o mais leve batimento
de asas.
O Peneireiro-das-torres (Falco Naumanni), é um pequeno falcão
de hábitos sociais gregários (cria em colónias).
É migrador, passando o Inverno no Continente Africano.
Esta ave sofreu, nas últimas décadas, um grande decréscimo
a nível Europeu sendo considerada como uma espécie globalmente
ameaçada.
Em Portugal teria sido bastante comum na década de 40, actualmente,
a estimativa Nacional é de 150 casais.
Castro Verde é um dos últimos redutos Nacionais.
Falcão Peregrino
Comprimento: 38 a 50 cm
Envergadura: 83 a 113 cm
Peso: 580 a 1000 g
Incubação: cerca de 30 dias
Distribuição: Europa, Ásia, África,
Austrália, América
Nome científico: Falco peregrinus
De passagem (outono-inverno). Raro.
Espécie rara no panorama nacional.
Sobrevive, por enquanto, em pontos isolados
da costa e nalguns locais mais remotos e inacessiveis do interior. Aos residentes
no País, juntam-se, no inverno, individuos oriundos da Europa setentrional.
Nessa época do ano, podem aparecer em practicamente qualquer sítio.
No dia 3 de Novembro de 1984, foram observados dois exemplares próximos
da garganta do Furadouro. Um deles encontrava-se pousado numa árvore
queimada, tendo sido possível com a ajuda de um telescópio,
admirá-lo cerca de 25 min.
É provável que utilizaem a serra com maior frequência
do que aquela que os poucos registos conhecidos deixem antever.
Campeão de velocidade: no campo da velocidade pura, o falcão
peregrino não tem rival: é a ave mais veloz do mundo, pois
um voo picado já foi cronometrado a 270 e mesmo a 320 Km à
hora, em pequenas distâncias. Todavia, quando carrega para alcançar
a presa passa sem dificuldade dos 50 para os 100 Km à hora em voo
horizontal. Este maravilhoso rapace apenas merece o seu nome no Norte da
Europa, onde é declaradamente migrador: no Outono, quase todas as
aves, jovens e adultas, se dirigem longe ainda. Noutras regiões apenas
os jovens se deslocam, pois os adultos são mais ou menos sedentários.
Tal como outras aves quando avança, batendo as asas dá a impressão
de força absolutamente notável. As suas presas são
aves capturadas em pleno voo são elas: pombos, estorninhos, abides-de-roupa
(Vanellus vanellus) garranginas, melros-pretos, tordos, gaios, cotovias-dos-campos,
tentilhões-das-árvores, etc...
Um embate terrível: habitualmente, esta ave de rapina alcança
a presa após um mergulho de várias centenas de metros, ultrapassado
por vezes até um Km. Neste caso, o embate das asas contra o corpo
da vítima produz um ruído audivel à distância.
Ou então com as garras, ataca a presa por baixo.
O falcão peregrino faz o ninho numa falésia, nas montanhas
à beira de um planalto ou do mar. No norte da Europa, chega a instalar-se
em ninhos abandonados por outras aves de rapina nas árvores. O falcão
peregrino tornou-se muito raro em certos países da Europa, e isso
por vários motivos: o homem persegue-o, os caçadores furtivos
roubam-lhes os ovos e as crias para abastecer os falcoeiros e, enfim, localmente,
vai lentamente intoxicando ao devorar presas que ingeriram sementes ou insectos
tratados com pesticidas.
Falcão Sacre
Falco Cherrug
O falcão sacre é um falcão
das regiões desérticas e das estepes da Europa Oriental, Ásia
Central e Médio Oriente.
É a mais primitiva e a mais rústica de todas as espécies
de falcões. Os falcões sacres são menos ágeis
e velozes que outros falcões. Em compensação são
dotados de grande força, persistência e valentia.
A sua plumagem é parda, de tons ocráceos, menos vistosa
que a dos restantes falcões. O seu tamanho está entre o gerifalte
e o peregrino, podendo as fêmeas atingir mais de 1kg.
Foi uma espécie largamente divulgada na Cetraria medieval. É
ainda hoje a ave tradicional da falcoaria dos países árabes.
Falcão Gerifalte
Falco rusticolus
Os gerifaltes são falcões da
região circumpolar ártica. São os maiores, os mais vigorosos
e os mais belos de entre todos os falcões.
Na Idade Média foram considerados verdadeiras jóias e nalguns
países a sua posse e utilização na caça foi
considerada uma prerrogativa real. Caracterizam-se pelo seu grande poder
de ascensão vertical "subir sobre a cauda", pela grande manobrabilidade
no voo de perseguição. As fêmeas, maiores do que os
machos, podem atingir mais de 1,5 kg de peso, o que lhes permite aprisionar
presas de grandes dimensões. A sua plumagem varia do cinzento escuro
até ao branco puro. Os mais apreciados eram os "letrados", assim chamados
por terem a plumagem com pequenos pontos negros à maneira de letras.
Estes grandes falcões eram aprisionados na Islândia e frequentemente
ofertados pelos reis da Dinamarca aos monarcas do sul da Europa.
Falcão Peregrino
Falco peregrinus
O falcão peregrino é considerado
o "Príncipe das aves de caça", sendo uma das espécies
mais apreciadas para os lances de altanaria devido à velocidade dos
seus ataques em voo picado.
Deve o seu nome "peregrino" aos hábitos nómadas e às
suas peregrinações errantes, sobretudo na fase adolescente.
Está representado por numerosas subespécies em todos os continentes.
Na falcoaria medieval destacaram-se as seguintes subespécies de
falcões peregrinos:
Falcão Bafari, ou Baarii (falco peregrinus brokey) - Expressão
árabe que significa marinho, ou costeiro. Nome dado na nomemclatura
cetreira à subespécie ibérica do falcão peregrino,
sendo uma das aves com maior tradição peninsular.
Falcão Nebri (falco peregrinus peregrinus e falco peregrinus calidus)
- Termo português antigo que designa as subespécies de falcões
peregrinos da Europa do Norte. A plumagem destas aves é mais clara
e contrastada evidenciando uma grande beleza. Além disso, os falcões
nebris são maiores e mais pesados que os peregrinos ibéricos,
motivo pelo qual eram tidos em grande apreço pelos falcoeiros da
Europa do Sul.
Falcão Tagarote (falco peregrinus pergrinoides
) - Termo que designa a subespécie do falcão peregrino do
Norte de África, também conhecido por falcão da Barbéria.
Eram trazidos para a penísula pelos mercadores do mediterrâneo,
sendo o mais pequeno representante da espécie.
Falcão Lanário
Falco biarmicus
São falcões pré desérticos,
parecidos com os sacres mas de menor envergadura. Eram normalmente utilizados
como "atalaias", levados sem caparão a fim de detectarem à
distância as presas no terreno, sobre as quais eram depois lançados
os sacres, os peregrinos e os gerifaltes.
Os falcões lanários são também aves muito
rústicas, capazes de viver nos meios mais agrestes . Pela sobriedade
do seu regime alimentar, dizia-se na Idade Média que eram falcões
próprios para escudeiros.
Destacam-se duas subespécies de lanários muito difundidos
na cetraria medieval:
Falcão Borni (falco biarmicus feldeggii
) - subespécie europeia do falcão lanário.
Falcão Alfaneque (falco biarmicus erlanggerii
) - subespécie ocorrente no Norte de África.
Falcão Esmerilhão
Falco columbarius
É o mais pequeno dos falcões
de caça, cujo peso raramente excede os 300g. Apesar do seu diminuto
tamanho, o falcão esmerilhão é muito veloz e acrobático,
sendo dotado de extraordinária valentia, o que leva a atacar presas
de muito maiores dimensões como perdizes e alcaravões.
Por ser pequeno era muito utilizado por senhoras, e principiantes para
a caça à codorniz, cotovia e outras pequenas aves. A sua nidificação
ocorre no Norte da Europa e Ásia, visitando a Península Ibérica
durante os meses de inverno, altura em que era aprisionado pelos falcoeiros
medievais.
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